Nosso último dia na travessia do Pati estava começando, aproveitamos a estadia no alojamento da família do seu Massu para um merecido jantar depois de quase 30 dias de viagem pelo Brasil era hora de começar a se despedir.Como de costume era preciso fazer algo para marcar essa viagem foi quando um dos filho do seu Massu e nosso guia Tiago tiveram a idéia de um mergulho no rio Paty que passava logo abaixo da sua pousada, nem pensei duas vezes, convidamos o resto da turma porém todos muito cansados acharam melhor ficar no alojamento descansando.Conforme íamos chegando perto do rio o som das águas e o relevo acidentado aumentavam, o que parecia um simples mergulho começou a ficar com um ar de aventura, ao chegar na beira do rio me lembrei dos nossos rios de corredeiras, típicos das serras Caterinenses.

Travessia do Paty
 

A princípio ninguém estava com coragem em se arriscar, foi quando o filho de seu Massu deu um pulo no meio do rio de uma altura razoavel caindo no centro do redemoinho que o levou do outro lado do rio e o trouxe de volta. Já comecei a cojitar a hipótese de me jogar também, Tiago nosso guia foi logo em seguida, eu demorei um pouco para tomar coragem mas logo me joguei, confeço que foi um dos melhores mergulhos da minha vida o cansaço dos dias de caminhada nem foi lembrado depois de um banho frio e revigorante nas águas do rio Paty.Nossa última noite foi muito descontraida, nossa idéia era passar mais um dia em Igatu conhecendo as ruinas da cidade que dizem ser um dos povoados mais antigos da região, porém a falta de grana e a saudade de casa falaram mais alto e por precaução resolvemos terminar a caminhada e logo retornar por Guiné que seria um ótimo passeio.Como ao longo da semana acordamos cedo, depois tomamos um café reforçado e seguimos em direção a temida Ladeira do Império, logo no início saindo da casa do seu Massu nos deparamos com o rio Paty novamente mas dessa vez estávamos com as mochilas, o que dificultou muito a travessia, na sequência a parte mais difícil ao meu ver foi ter que enfrentar o paredão do canion, tive algumas dúvidas se era realmente o caminho certo, e logo depois de suar muito no meio da mata fechada alcançamos a trilha certa, deste ponto até o início da descida foi bem tranquilo, o medo de ter que enfrentar a Ladeira depois de tanta expectativa não pareceu nem a metade do que houvimos falar.Passando por Guiné pode-se ter a noção do tamanho do Vale.

Durante nossa passagem até Andarai encontramos um grupo de alemães que acabou nos fazendo compania até o centro da cidade onde nosso grupo e o deles esperava o translado, foi tempo de se sentar na mesa e depois de quase 7 dias sem tomar uma bedida gelada e como manda a tradição alemã saudamos todos com um Prost, aproveitamos a oportunidade para gastar nosso vasto vocabulário alemão, bem como contar alguns casos da Oktoberfest de Blumenau.

Era hora de despedida entramos na Rural que ia nos levar até Palmeiras onde estava nosso Papa-Móvel, a viagem de volta foi bem divertida, o tempo abriu e o sol voltou a brilhar intensamente, fomos presentiados mais uma vez com um belo final da tarde com direito a arco íris duplo. Foram quase 35 dias desde nossa saida de Bal. Camboriú e nossa volta, na bagagem de retorno muitas histórias, fotos e novas amizadas que temos a certeza que não foi em vão que encontramos pessoas tão especiais que contribuiram para o sucesso desta expedição.

FICHA TÉCNICA DA TRAVESSIA DO VALE DO PATY

Como chegar: Acesso pelo município de Palmeiras, vá até o Vale do Capão e m seguida pegue a direção da localidade de Bomba
Distância aproximada: 45km (longo, a distância pode variar de acordo com a trilha)
Duração: 3 a 6 dias (logo)
Desgaste físico: Alto/Pesado (longo, calor e muito desnível ao longo da trilha, sobe e desce)
Dificuldade técnica: Alta (orientação, pedras escorregadias, incidência de animais selvagens como abelhas e cobras)
Altitude mínima: 400 Nível do mar
Altitude máxima: pode chegar 1500 m (picos de morro)
Mapa da Trilha: Google Maps  / Mapa em PDF com curva de nível
Equipamentos e dicas: Esse caminho pode ser bem desgastente para quem não está preparado, entre as maiores dificuldades podemos destacar a atravessia de pontos alagamento, subidas e descidas íngremes com pedras escorregadias. Existem vários pontos de acampamento e alojamentos, a caminhada pode levar até 6 dias dependendo do rítmo da equipe, o recomendado para carregar os mantimentos, roupas e etc, é uma mochila cargueira de 60 ou até 75lbs . Pelo relevo acidentado e as chuvas contantes a hidratação não é um problema, p0ode-se encontrar vários pontos com água ao longo da trilha, o único incoveniente é que existe uma concentração extra de ferro, o recomendado é sempre putificar a água com Clorin. Como a região é muito alta o tempo pode ficar instável e chuver muito durante alguns periodos do dia, portanto deve-se preparar usando capa de mochila tipo poncho e agasalho ou roupa de tempo, o uso de botas altas tipo a Tronador da Snake é ideal para vitar molhar o pé como também proteje contra cobras e aranhas. Nos alojamentos ao longo da trilha você pode comprar mantimentos, isso ajuda a aliviar o peso que se leva na mochila, quem preferir pode também alugar uma cama ou um quarto.  Tome cuidado para não sair da trilha principal, as trilhas secundárias podem atrazar a chegada e fazer com que a caminhada se estenda até a noite dificultando bastante a orientação, durante nossa passagem presenciamos alguns grupos perdidos durante a noite. Vale apena conferir essa trilha, o lugar é muito lindo com formatos rochosos de uma natureza única.

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