A saída foi bem cedo, pelas 05:30 horas, para evitar bater de frente com o calor previsto para aquela tarde.Ao navegar para fora do Canal da Barra da Lagoa da Conceição, já deu para antever que o Mar seria um grande amigo, naquele dia.
E foi neste espírito de libertação do estresse diário que partimos para uma região onde foram vistos alguns cardumes de belos Dourados, nosso alvo preferencial na jornada.

A conversa à bordo do Bote PAI HERÓI III não fugia disto, apenas quebrada pela necessidade de ajuda mútua na montagem de algum equipamento, especialmente preparado para encarar briga grande. Em suma, pelo otimismo dos pescadores, a farra seria muito boa.

Pouco depois das 06 horas, silêncio total para apreciar a Sol surgindo na linha do horizonte. Fotos de praxe e, em coisa de dois minutos, ele já estava totalmente visível, como garantia aos pescadores de que ele (o Sol) faria sua parte naquele dia: aparecer, brilhar, iluminar e aquecer a água para animar o peixe. Restava a nós fazer a nossa parte: usufruir daquele dia em clima de alegria e respeito.
Já tínhamos colocado nossos quatro equipamentos com iscas artificiais de Lula nos suportes do Bote, além de um Teaser ( uma linha com enorme Lula e algumas Lulinhas na superfície, apenas para “fazer barulho” e atrair os predadores).

Depois de termos navegado pouco mais da metade do trajeto previsto, o Mar também ofereceu o que tem de bom: apresentou a “comissão de frente” do Bloco dos Dourados-do-mar, num dos equipamentos. Após uma boa briga, um exemplar de 5 Kg. foi embarcado, para as primeiras fotos para a galeria dos troféus.

E não só isto, pois aquele pioneiro Dourado fazia parte de um enorme cardume da espécie, que se agitou todo debaixo do barco quando daquela captura.
O esquema de pesca que adotamos a partir dali foi bem simples, com o Bote corricando (rodando com o motor em marcha mais lenta) em ziguezague, tendo por epicentro o “ponto g”, devidamente marcado no GPS.

A cada passada, alguma carretilha “chorava” e o caniço dava uma inclinada violenta, porque os exemplares estavam cada vez maiores e mais freqüentes, culminando em determinado momento com um triplê (três capturas simultâneas). Esse instante foi de caos à bordo, porque um pedia ajuda com o Passaguá (coador com rede para embarcar o peixe), outro passava trabalho para tirar o Dourado debaixo do casco do Bote enquanto que o terceiro ainda “negociava” com seu peixe um embarque mais prolongado, para dar tempo aos demais de liberarem o convés.
O Capitão Juliano e o quarto pescador, naquela hora, atuavam como verdadeiros “bombeiros”, ajudando a um, batendo a foto do outro, deslocando o barco e praticando outras funções de apoio.

Resultado: o que era para ser uma pescaria mais demorada e distante da costa, acabou sendo abreviada porque já estávamos soltando peixes abaixo de 8 Kg. e a cota de todos estava quase completa. O maior exemplar capturado mediu 1,35 m. e aquele primeiro “peixão” acabou virando “peixinho”, comparado aos demais. Antes do meio-dia fizemos um lanche restaurador e retornamos para casa, cheios de moral e com gatilho disparador de adrenalina sobejamente testado, por várias vezes.

Pescaram: Sebastian (um jovem gringo portenho que maneja muito bem sua carretilha com manivela esquerda e adora liberar peixe); Firmino (embarcou o troféu maior); Mauri (embarcou o “machão” mais pesado) e Adão (fez o embarque pioneiro).

Capitão: Juliano (sempre atento, orientando a correta posição das iscas)

Dourado