A âncora não é apenas usada para fundearmos a procura de um descanso, pesqueiro e uns banhos, mas também em uma  emergência o que obriga a que esteja sempre em boas condições e disponível. Á seguir os passos básicos necessários para fundear em segurança que deverão estar sempre na mente de cada um no momento da manobra. Só com a prática aperfeiçoamos a técnica que um dia poderá nos salvar.

1º estudar o local – Devemos conhecer ou pela prática ou por uma carta náutica o local onde pretendemos fundear, ou seja, o tipo de fundo, altura das ondas, condições atmosféricas e do mar, a previsão da maré e se existem outras embarcações já fundeadas. Convém ter sempre uma alternativa no caso da manobra falhar ou não resultar. Deve escolher fundos de areia ou lodo e não muito altos.

2º preparar o ferro (âncora) – Um tripulante à proa com o ferro preparado para largar. Amarra sem “cocas” e convés limpo de modo que não haja impedimentos à saída. Talvez seja necessário acrescentar a bóia de arinque (marcação).

3º arriar o ferro - À ordem do comandante, quando o barco começar a andar à ré, deve descer (não atirar!) o ferro até tocar no fundo. Soltar devagar a amarra de maneira a facilitar, com o peso que o barco exerce o unhar no fundo. Normalmente larga-se três a cinco vezes de amarra em altura do fundo em condições normais, de cinco a sete vezes de amarra se houver previsão de “tempo” rijo (tempo ruim).

4º verificar a posição – Depois de amarrar o cabo num cunho é altura de verificar através de pontos de referência fixos na costa se o barco não descai. Não se esqueça de prever a eventual rotação se o vento ou maré virar.

No caso de fundear num rio é natural que seja a corrente o elemento predominante, e neste caso se esta estiver sujeita a mudanças de sentido, deve-se fundear com duas âncoras.

Lançando uma à proa e outra à popa de modo a que seja feita tracção apenas numa delas, consoante a corrente, para evitar a rotação da âncora. Cada embarcação deverá usar o ferro apropriado e com as características indicadas para o tipo de casco e qualidade de fundo onde irá fundear. Uma escolha errada poderá pôr em risco o barco e a própria tripulação. A âncora deverá estar ligada a uma corrente (ou cabo com chumbo), a amarra, de comprimento nunca inferior ao da embarcação, e aquela a um cabo próprio com comprimento suficiente para os fundos onde normalmente se pensa ir fundear. De preferência deve-se usar apenas corrente mas o seu peso e preço faz com que se junte corrente com cabo.

O cabo também facilita o corte no desembaraço da âncora quando esta fica presa e irremediavelmente perdida, o comprimento total deverá obedecer basicamente à seguinte regra:

Em águas calmas de três a cinco vezes a altura da maré (na praia mar!) com tempo rijo de cinco a sete vezes a altura da maré.

Um comprimento total de cinquenta metros parece ser o mínimo razoável. Um segundo ferro, outro tanto de corrente, e cabo pronto a ser ligado ao primário não são demais. Não será com certeza o primeiro a ter de cortar a amarra por a âncora ter ficado presa e ser impossível a sua recuperação.

É aqui que entra o cabo de arinque que é preso à cruz, ou olhal próprio, e permite na maioria das vezes desengatarmos a âncora, sobretudo, em fundos desconhecidos. Na outra extremidade deste cabo prender-se-á uma bóia que assinala a sua presença.

Para veleiros a corrente do segundo ferro tem outra utilidade. Em caso de previsão de relâmpagos deve-se prender à base do mastro, quando metálico, ou aos brandais, de modo a fazer uma ligação a terra e afastar a hipótese de acidentes com as descargas elétricas. Para quem já viu e “ouviu” um relâmpago a cair próximo de um veleiro, acreditem que é remédio santo!

As tabelas de diversas âncoras mais comuns aqui apresentadas servem apenas como referência e os valores descritos assumem condições normais de mar e vento. Deve aconselhar-se quanto às características da âncora e amarra junto do vendedor.