Até agora haviamos pescado na região correntina do rio Paranazão denominada Alto Paraná, que compreende o trecho de Ituzaingó à Capital daquela Província, cidade de Corrientes.

Pesca boa, com equipamento totalmente diferente daquele adotado no pantanal brasileiro. Tudo em função da maior profundidade do rio e de seu relevo subaquático, constituído de pedregais e também de extensas áreas com areia.

No início de Junho, a convite da empresa Dourado Bus, de Novo Hamburgo (RS), participei, com alguns empresários lojistas, de uma das viagens semanais em um de seus três ônibus, especialmente desenhados para atender aos aficionados da pesca amadora.

Cada carro tem dois motoristas preparados para este tipo de Cliente, 18 leitos, além de sala de jogos com duas mesas, frigobar, chopeira, internet, DVD e som, imagem com três TV em LCD, freezer para trazer pescado, kit- acampamento para almoço na Ilha e equipamento de pesca para empréstimo.

As Pousadas de pesca daquele roteiro, que passa por Porto Alegre, Alegrete e Uruguaiana, estão nas cidades argentinas de Esquina, Goya, Bella Vista, Empedrado, Passo de La Pátria, Yahapé, Esteros Del Iberá e Concórdia.

Para quem gosta, tem a opção de praticar a caça, tanto na Argentina quanto no Uruguai.

A Empresa opera naquela região há quatro anos e em nossa viagem pudemos constatar a organização e desfrutar da segurança imprimida a cada etapa da viagem. Tudo bem planejado para o conforto e o bem-estar dos passageiros, com paradas estudadas para não cansar.

Chegamos à Pousada Pesca Aventura, na cidade de Esquina. Um empreendimento de grande porte, com aconchegantes instalações, piscina, lazer, internet, Lanchas de 18 pés com motor 50 HP quatro tempos e Piloteiros bem treinados.

A primeira surpresa foi a pouca profundidade do rio Paraná, permitindo pesca de corrico (trolling) com iscas de tamanho médio, como Rapala, Bomber 15 ou 16, Yosuri, Maria e outras.

Outra – e muito maior – foi a opção de pescar no meio dos Esteros (área alagada) que suprem todo o Paranazão de intensa e variada gama de peixes. Detalhe: lá dentro só se pesca com isca artificial, tanto de corrico quanto de arremesso (casting) ou com fly.

Cada dia nossa Lancha levantava mais de 30 Dourados, sendo que alguns de porte invejável ao nosso pantanal brasileiro, tão esgotado nos últimos anos, mercê da inoperância da fiscalização e de falta de consciência dos pescadores.

Coincidiu ainda que nos acompanhou um cinegrafista que está coletando imagens para um novo programa de televisão, especializado em pesca e seus derivados.

Se para nós foi uma festa, para o cinegrafista Rodrigo foi uma experiência fantástica, com toda a certeza.

Quem ficou para pescar intensivamente no leito principal do Paranazão, conseguiu algumas capturas significativas, apesar do intenso frio que se abateu naquela região, principalmente a partir da Sexta-feira. Os peixes mais comuns foram o Pintado, a Cachara, o Barbado (de bom porte também), Bagres, Mandis, Piranhas (até de 2 kg.) e até Raias gigantescas.

Ponto alto naquela região são as Fazendas com sua diversidade de animais à beira-rio: búfalos, cavalos de várias raças, bovinos, cabras, centenas de ovelhas, porcos, capivaras, cervos, jacarés e cães de pastoreio.

Bastava erguer o olhar em qualquer direção para ver centenas de aves, ora pousadas, ora voando: Araras, Urubus, Garças, Flamingos, Marrecas, Patos selvagens, Biguás, Mergulhões, Perdizes, Bem-te-vis, Pombas e mais de uma dezena de pequenas aves típicas do banhado.

Em suma, um berçário de todas as espécies mencionadas. O que também causou surpresa agradável foi capturar dourados nas artificiais no momento mais frio da manhã, quando o termômetro não passava de 8 graus e uma névoa emanava do rio. Até o gado preferiu entrar na água para amainar a dureza do contraste ao vento gelado. A nota triste ficou pela notícia, em plena madrugada do derradeiro dia de pesca, do falecimento repentino do Firmino, nosso parceiro de muitas pescarias e que só não nos acompanhou nesta jornada por falta de vaga. Que Deus o tenha em sua grande misericórdia.

Resumindo: foi uma experiência ímpar, para quem achava que pescar na Argentina era só com iscas (Sinuelos) com barbelas extremamente longas como as CUCU, IBERÁ E ALFER. Essa viagem deu novo ânimo, porquanto mostrou uma pujança inimaginável que brota dos Esteros del Iberá (com mais de 1,3 milhão de hectares de área alagada) e dos demais Esteros menores que o circundam, sendo o rio Corrientes seu maior vertedouro e canal de saída dos peixes em direção ao Paranazão. Uma “pintura” é a combinação da cor amarelo-forte com preto dos Dourados.

Companheiro de pesca com o seu lindo Dourado